segunda-feira, 22 de novembro de 2010

um amor verdadeiro. s2

O dia tão esperado havia chegado, o nascimento de nossa filha estava por vir, entretanto, meu marido não sentiu alegria. Para ele, aquele nascimento seria uma decepção, pois queria um filho homem. Meses se passaram, e o pai que dissera que odiará aquele nascimento fechou a boca, pois cativou-se pelo sorriso da filha, amando-a fortemente. A filha então não desgrudava do pai, eram unha e carne. O pai fazia muitos planos para suas vidas, onde sempre teria a filha em primeiro lugar. Em uma tarde ensolarada reunida com a família, a filha pergunta ao pai — O que vou ganhar quando completar quinze anos, pai? — O pai por sua vez respondeu-a — Querida, você tem apenas oito aninhos, você não acha que falta muito tempo para esta data? — Ela lhe respondeu sorrindo — Bom papai, você sempre diz que o tempo passa voando.Ela já tinha quatorze anos e ocupava toda a alegria da casa, especialmente o coração de seu papai. Em um domingo ensolarado, estava à família passeando pela calçada, quando ela tropeçou, seu pai largou tudo o que tinha na mão para tentar segurá-la, entretanto não conseguiu, a queda foi mais rápida. No mesmo instante ela perdeu a consciência, seu pai levou-a imediatamente para o hospital. Lá ela permaneceu durante dez dias, e no décimo informaram que ela padecia de uma grave enfermidade que afetava seriamente seu coração.
Os dias foram passando ligeiramente, seu pai parou de trabalhar para dedicar-se a ela todos os minutos. Todavia, sua mãe não podia parar de trabalhar, pois não agüentava ver o sofrimento da filha. Em uma manhã chuvosa, a filha perguntou à seu pai: — Eu vou morrer papai? — Respondeu então o pai — Não, meu amor. Não vai morrer, Deus é grande, e não permitiria que eu perdesse a coisa mais valiosa que tenho neste mundo. —  Ela olhou com um olhar assustado para o pai — Quando morremos, vamos para algum lugar bonito? — O pai tentou se agüentar, mas deixou cair uma lágrima de seus olhos. — Ninguém regressou de lá, porém, tenho certeza que é lindo, e como sei que um dia vou morrer, irei estar com você sempre, nos seus pensamentos, te protegendo e ajudando no que você precisar.
Nesse mesmo dia à noite, os pais foram informados que a filha necessitava urgentemente de um transplante de coração, pois ao contrário ela teria uma semana de vida. — MEU DEUS! ONDE CONSEGUIR UM CORAÇÃO? — Os pais enlouqueceram-se, e justo nesta semana ela completaria seus tão esperados quinze anos. Então, no dia seguinte eles acharam um doador, ela foi operada e ocorreu tudo bem. Ela permaneceu no hospital mais uma semana, e durante este período o pai não foi visitá-la. Ela ganhou alta e voltou contente para casa. — Papai, papai... Onde você está? — Sua mãe saiu chorando do quarto com um papel nas mãos indo em direção á filha. — Seu pai deixou para você! — A mãe então entregou o papel á filha. — Amor, você já deve ter completado quinze anos, e tem um coração forte batendo em seu peito. Não tem idéia de como queria estar ao seu lado. Quando fiquei sabendo que você podia morrer, soube a resposta que me fizeste quando tinha oito anos, a qual não consegui responder. Querida, te dou meu coração, para que viva e aproveite cada segundo desta vida. E quando o vento bater em seu pescoço suavemente tenha certeza que estarei com você. Amo-te minha filha! — Neste instante as copas das árvores balançavam suavemente, caíram algumas folhas, e uma suave brisa roçou seu pescoço.